Indaiatuba foi crescendo com a agricultura, principalmente do tomate. Mas conforme as indústrias (como a Yanmar em 1960 e posteriormente a Toyota em 1998) foram se instalando no município, muitas outras industrias também vieram, formando distritos industriais. Na mesma proporção, observou-se também um aumento de nikkeis em outras áreas profissionais, em contraste com a redução daqueles que se dedicavam à agricultura.

Crescimento

O empenho para a construção do novo prédio da Escola de Língua Japonesa iniciou-se a partir das comemorações dos 50 anos, exatamente numa época em que a cidade vivia um grande crescimento. Muitos nikkeis foram mudando suas atividades, de agricultores para comerciantes e industriários, sem dificuldades de adaptação.

A ACENBI realizou recentemente, de modo independente, um censo estatístico no nosso município que indicou os seguintes números: cerca de 790 famílias nikkeis moram em Indaiatuba, das quais 6 são agricultores, 108 comerciantes e 175 industriárias.

Reforma pedagógica

A escola passou por uma grande reforma pedagógica, traçando metas de modo a aperfeiçoar as estratégias de ensino, alterando o sistema de classes mistas (FUKUSHIKI JUGYO) para classes seriadas por níveis de conhecimentos (TANSHIKI JUGYO), não deixando, entretanto, de manter a educação tradicional da cultura japonesa, herdada dos antepassados.

Do que era amplamente discutido nos meios educacionais da língua japonesa do Brasil, Indaiatuba optou por aderir às idéias amplamente discutidas no sentido de voltar o ensino da língua japonesa, como uma língua estrangeira, alterando a grade curricular e adotando materiais didáticos de acordo com a nova metodologia. Assim, em 1998, com Gunji Matsumoto na presidência da ACENBI, novamente iniciou-se as reformas da estrutura educacional do ensino de língua japonesa. Também foi criado um Conselho Administrativo para tratar dos assuntos relativos à escola.

Estatuto

Em 2001, foi finalizada a revisão do Estatuto da ACENBI. Em 2004, o estatuto foi integralmente adaptado às exigências do Código Civil. Em 2002, durante a administração do presidente Kozo Nomura, deu-se o início da construção do novo prédio da escola Nitigogakko, com recursos angariados ao longo de vários anos e somado a um montante que era administrado pelo Fukeikai (associação de pais e mestres). Esse montante teve inicio em 1988, com o então presidente Fumio Kato, que destinou 25% dos recursos arrecadados com a taxa de manutenção da associação ao Nitigogakko, principalmente na melhoria do aprendizado.

A conclusão desta construção ocorreu no final do ano de 2004. Em 2006 foi feita a reforma do prédio do salão social, de modo a possibilitar o uso do mesmo para mais dez anos. Também foi firmada uma parceria com a municipalidade, em que através de projetos elaborados e sancionados pela ACENBI e a Secretaria Municipal de Educação, as professoras do Nitigogakko vem apresentando e divulgando a cultura e a língua japonesa para os alunos da EMEI que se encontra instalada no piso inferior do novo prédio.

Parceiros

Apesar da pequena carga horária da EMEI e poucas atividades com as nossas professoras, os alunos, ao tomarem contato com a língua e a cultura japonesa, seguramente serão, no futuro, grandes parceiros da comunidade nikkei, contribuindo para estabelecer elos entre as duas culturas.

Neste processo transitório continuado de gerações, a ACENBI, que sempre procurou contribuir com a comunidade local, na pessoa do presidente Gunji Matsumoto, teve a preocupação de dar continuidade às suas atividades, passando o cargo para Ryoji Nikkuni.

Novas estratégias

Assim deu-se início não apenas à mudança nas instalações do prédio da escola, mas também a adoção de novas estratégias entre as professoras, e, ainda, a renovação da diretoria da associação — isto é, aumentando o interesse dos jovens para as atividades da associação.

Há que se destacar também o desempenho do professor universitário Makoto Anbe, que trabalhou bastante para solidificar mais as relações entre a Escola de Língua Japonesa com a Secretaria de Educação do município, estreitando mais ainda as relações da associação com a prefeitura local.

Formação do atleta

Também é importante ressaltar a importância do beisebol da associação. Além do lado esportivo, existe um grande empenho na formação íntegra do jovem atleta como cidadão. Em 2004, a ACENBI firmou uma parceria com a Secretaria Municipal de Esporte e Lazer, que perdura até o momento, cujo objetivo era ampliar o número de praticantes e difundir esta modalidade esportiva. A municipalidade cedeu um técnico e nas dependências da associação atende-se inclusive a atletas da SESLA. Apesar de esta modalidade esportiva ser praticada desde o início da década de 50, o beisebol passou a ser Departamento de Beisebol no ano de 1987.

As reformas e adaptações da comunidade nikkei de Indaiatuba também estão, segundo avalia Matsumoto, voltadas à atual realidade. Ou seja, o que era necessário ser implantado e reformado para adequar-se às reais necessidades dos associados — as quais não conseguimos alterar –, o atual presidente Edson Miyamoto está conseguindo realizar. Por exemplo, o Departamento de Senhoras, que era constituído por um grupo, passou a englobar as senhoras da associação de modo automático.

Composição dos departamentos

A característica da ACENBI, até então, era a composição de seus departamentos. Cada qual administrava o seu departamento, funcionando como uma associação dentro da ACENBI, realizando seus próprios eventos.

Enquanto a associação era composta por japoneses que não dominavam a língua portuguesa, que necessitavam de um local de confraternização para troca de informações, esse sistema funcionava muito bem. Porém, com o envelhecimento dos associados japoneses, o aumento de nikkeis que vão a trabalho ao Japão e conseqüente redução de associados, bem como o aumento de jovens nikkeis que não falam mais a língua japonesa, esse sistema de departamentos independentes dentro de uma mesma associação só reforçaria a divisão das forças e da união dessa associação. Para os japoneses da primeira geração que vivenciaram os momentos áureos da associação, sendo um grupo minoritário ativo, não seria muito fácil aceitar mudanças e sugestões em eventos que vinham realizando com relativo sucesso até então.

Mas o atual presidente Sr. Edson Miyamoto, ao tomar posse do cargo, conseguiu quebrar essas barreiras, enaltecendo todos os trabalhos desenvolvidos e unificando e centralizando todas as atividades como sendo atividade da associação como um todo.

Taiko

Também temos que destacar o Grupo de Taiko da ACENBI (taiko é uma espécie de tambor japonês), que começou a crescer desde que foi formado em 1998, contribuindo para divulgar mais uma tradição da cultura japonesa. Através da JICA, os diretores da província de Fukuoka do Brasil trouxeram especialistas do Japão, para divulgar ainda mais a arte de tocar taiko, pelo Brasil todo. Nesta época, na ACENBI havia apenas um tambor grande e um pequeno, que eram usados somente em alguns eventos.

Com a vinda do especialista para cá, o número de interessados cresceu e atualmente esse grupo conta com cerca de 40 jovens empenhados no treino do Taiko. Esse grupo tornou-se tão expressivo que atualmente, na cidade de Limeira, sem o Taiko de Indaiatuba a realização do festival japonês fica prejudicada. Atualmente esse grupo conta com uma maioria de jovens nikkeis, havendo possibilidade de oferecer treinamento para todos os interessados. Além disso, temos também a Festa do Chopp, realizado duas vezes ao ano e o Festival do Sushi, organizado pelo Conselho Administrativo da Escola de Língua Japonesa, uma vez ao ano. Nesses eventos a maioria dos brasileiros não nikkeis é que comparecem para prestigiar os eventos, de modo que hoje podemos dizer que já faz parte do calendário de eventos da cidade.

Orgulho

É através de todos esses eventos realizados pela ACENBI, que a comunidade japonesa vem conquistando cada vez mais o respeito da população local. É também reconhecida na região, pois ouve-se falar muito: “se quiser conhecer um pouco da cultura japonesa, é só procurar pela ACENBI”. Fato como este enche de orgulho a coletividade nipônica de Indaiatuba, principalmente nesse momento, quando estamos para comemorar os 100 anos da imigração japonesa no Brasil em 2008.

Notas da Comissão do Caderno Comemorativo: O relato acima procurou descrever em linhas gerais e de modo reduzido o histórico e a trajetória da ACENBI durante esses sessenta anos, tomando como referência apenas os poucos documentos que ficaram arquivados. Foram utilizados também os depoimentos de ex-presidentes da associação — Maçaki Umeda, Fumio Kato, Kazuhiro Toyoki, Gunji Matsumoto, Ryoji Nikkuni, Kozo Nomura e Makoto Anbe.